domingo, 7 de abril de 2013

CONVÍVIO 2013 EM POMBAL

Já está marcado o almoço/convívio da C Caç 2505, para o RESTAURANTE O MANJAR DO MARQUÊS, em Pombal.

Como anteriormente foi postado no nosso blogue, a data escolhida foi o dia 4 do próximo mês de Maio e como também está há já alguns anos decidido, a data do nosso encontro será sempre o sábado, anterior ou posterior, ao dia 8 de Maio altura que, no ano de 1969, embarcamos no paquete Uíge, para a então denominada Província Ultramarina de Angola. Pois! Parece irreal, mas já faz  nesse dia 44 anos.

Seguiu carta para todos os ex-combatentes da nossa Cia, dos quais possuímos morada, informando de mais este evento e que, também, a seguir postamos:
                                                                         CARO
                                                                                           EX-COMBATENTE DA  
                                                                                           C. CAÇ. 2505
                                                                                                                                    
Lisboa, 28/03/2013

Assunto: Almoço Convívio 2013 - 44º.Aniversário

No próximo dia 4 de Maio, realizar-se-á em POMBAL, no RESTAURANTE MANJAR DO MARQUÊS, mais um almoço convívio dos ex-combatentes da C. Caç. 2505, do Batalhão 2872, formado no RI 2 e que serviu em Angola nos anos de 1969 a 1971.

 Para este evento estabelecemos o seguinte programa:

            10H00 – Início da concentração no Parque de Estacionamento do Restaurante
                12H30 - Almoço

Por uma questão logística, agradecemos que as inscrições tenham lugar impreterivelmente, até ao dia 29 do mês de Abril.

Picadas até ao objectivo:
Quem vem de sul pela A1, sai em Pombal; apanha a N1 (IC2) no sentido de Coimbra e anda cerca de 1 Km. É à direita. Quem vier de Norte, da A1 fará o inverso; Sai em Condeixa, segue na direcção de Pombal cerca de 20 Km. O restaurante é à esquerda.

Esperamos que todos os ex-camaradas da C Caç 2505, familiares e amigos apareçam em força em mais esta confraternização dos ex-combatentes da nossa Companhia. Tendo em conta os tempos de crise o preço será muito acessível.

Aproveito a oportunidade para informar, a existência do nosso blogue, solicitando que sejas seu seguidor em:

 www.ccac2505.blogspot.com

Um abraço amigo
                   
 A Comissão Organizadora                                                                                                   
Porquê Pombal de novo? 
A esta pergunta posso responder pela Comissão Organizadora. Da zona compreendida entre Pombal e Leiria/Torres Vedras, é o Manjar do Marquês que tem melhor serviço em qualidade, abundância, atendimento e custo. Para além destas razões, Pombal, embora um pouco mais a norte, situa-se mais ou menos no centro do país continental, sendo muito bem servido por uma rede de vias rodoviárias e ferroviárias, podendo utilizar-se deste modo, além de transporte próprio, outros transportes.

Esperamos que os ex-combatentes, familiares e amigos da C Caç 2505, compareçam em força,

JM

segunda-feira, 25 de março de 2013

FELIZ PÁSCOA 2013



É O NOSSO FORTE DESEJO PARA TODOS 

E EM ESPECIAL, PARA OS QUE NOS TÊM

 ACOMPANHADO, DURANTE ESTES 

ÚLTIMOS TRÊS ANOS 


domingo, 3 de março de 2013

VAGOMESTRE "PROMOVIDO"


Vagomestre “promovido” a comandante da Secção de Armas Pesadas
FOTO 1-VAGOMESTRE

Os dias passavam tranquilos, jogávamos futebol, pescávamos e nadávamos no rio Dange (nadar, poucas vezes, o rio estava infestado de crocodilos, e era necessário atirar uma granada, para a água, para os afugentar), ouvíamos música e tínhamos de vez em quando aulas de karaté, com o camarada Merca, que em vão persistia em nos fazer “karatecas”, podemos afirmar que tínhamos ganho uma estabilidade emocional perfeita e que nada nos poderia perturbar. Mas naquele dia à tarde depois de termos preparado as ementas para o dia seguinte, distribuído cópias para o 1º cabo fiel do armazém de géneros alimentícios e para o 1º cabo cozinheiro, encontrávamo-nos na secretaria da companhia, atualizando as fichas de existências e conferindo os mapas de receitas e despesas para remeter à Manutenção Militar em Luanda, quando fomos abordados pelo impedido do Comandante de Companhia, que se nos dirigiu dizendo: “o nosso Capitão quer falar com o meu Furriel”.

Pelo caminho que nos levava ao posto de comando da companhia, já tínhamos uma leve desconfiança sobre o que significava aquela informal convocatória, recordamos então, as refeições servidas na Fazenda Maria Fernanda, que repetidamente constavam de salsichas com arroz, atum com feijão-frade, dobrada e chouriço com feijão encarnado e pouco mais. De facto o pessoal da companhia nesse período não tinha tido uma alimentação equilibrada, e, o aspeto dos camaradas, não era o melhor, como se pode ver pela foto de oficiais e sargentos (foto 2), o próprio comandante de companhia frequentemente se queixava de uma doença intestinal que a alimentação servida, vinha agravar. Tinha havido também o incidente da falta do tabuleiro no 1º acampamento do Dange, pensávamos, no entanto, que haveria, certamente, atenuantes para este estado de coisas.

FOTO 2-OFICIAIS E SARGENTOS DA C CAÇ 2505
Foi com estes pensamentos que chegamos ao posto de comando, onde se encontrava o nosso comandante de companhia, atrás duma secretária, e, depois de cumpridas as formalidades, com os cumprimentes oficiais obrigatórios, entre hierarquias, disse: “Santos! Tomei uma decisão”, ouvíamos, calados, esperando com curiosidade e alguma desconfiança, saber que decisão seria essa, o comandante da companhia continuou: “o pessoal está mal alimentado, as coisas não parecem ter tendência a melhorar e a partir de hoje o Santos deixa de ser vagomestre e passa a operacional, vai juntar-se ao 3º pelotão, em troca com o furriel Seguro”, depois de ouvida a sentença, que não foi totalmente inesperada, e, sempre em silêncio, acatámo-la com resignação.

Foi desta forma simples, que o Vagomestre foi “promovido” a comandante da secção de armas pesadas.
F. Santos

FOTO 3-EQUIPAMENTO PARA O DESEMPENHO DA NOVA FUNÇÃO


PS. Agora na primeira pessoa: Não recordo como passei o resto do dia, provavelmente, afogando as mágoas, em muito uísque, confidenciei nesse dia a uma “amiga”, por correspondência, que ainda hoje guarda: “Hoje não foi um dia bom, nem tudo correu bem, nada de preocupante, apenas mudei de funções contra a minha vontade… foi injusto, vamos ter fé, o tempo me dará razão…”
F. Santos





sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

FOTOS LUNGUÉ BUNGO EM 1973

Tenho o prazer de transcrever, o mail do nosso amigo ex camarada de armas  H Jesus, que nos envia em seu anexo, cinco fotos daquele local do leste de Angola, que ele e nós bem conhecemos. 
O nosso obrigado.
JM

Amigo jotamerca. Gostei de ver as fotografias no blogue da CCAÇ2505.
Aqui vão mais algumas.

Quartel dos fuzileiros. Foto aérea do rio Lungué Bungo.Nova ponte (metálica) no rio Lungué Bungo e a"praia" onde se passava grande parte do dia e, às vezes, parte da noite. Cinema Luena no Luso. Aeroporto do Luso.
Grande abraço.
Henrique de Jesus

Quartel Fusos Lungué Bungo
Foto aérea Rio Lungué Bungo-Ponte Metálica
Praia Rio Lungué Bungo
Cinema Luena  - Luso
Aeroporto - Luso

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A SORTE ESTEVE DO NOSSO LADO

A comissão de serviço na então Província Ultramarina de Angola, estava a aproximar-se do fim. Estávamos num local denominado Canage, onde tínhamos levantado um acampamento provisório.

A nossa missão era a de efectuar protecção próxima aos trabalhos de construção e posterior asfaltagem da estrada que pretendia ligar a cidade do Luso a Gago Coutinho. Também em complemento da protecção próxima, efetuávamos uma protecção afastada com a realização de operações de 3 a  4 dias patrulhando, reconhecendo, efectuando escoltas a colunas de reabastecimento ou outras e até se necessário ir a objectivos indicados pelo oficial de operações do Batalhão.


A engenharia levantou uma barreira da altura mais ou menos de um homem à volta do acampamento e em forma de quadrado para essencialmente proteger-nos de possíveis ataques, com armas de tiro tenso. A savana à volta do acampamento também foi aplanada, alargando assim o nosso campo de visão.


Após esta introdução com a nossa localização, vamos passar ao testemunho do que aconteceu.

Dado o tempo, já quase ultrapassado, que algumas granadas utilizadas na bazuca e morteirete e por estarem quase fora de prazo, tinham de ser inutilizadas. Desta vez, até nem se tratava de um exercício de tiro, para armas de tiro curvo, com a finalidade de treinar pontaria. Normalmente a bazuca e o dilagrama eram as armas utilizadas pelo Piçarra enquanto o morteirete quase sempre pertencia ao Baião.

Pretendia-se numa das extremidades mais afastada do centro do acampamento, disparar estas armas por cima da barreira que nos protegia e assim inutilizarmos as munições que estavam quase fora de prazo.


Já tínhamos muitos meses de comissão. Facilitismo? Não sei. O que sei é que se a granada, passasse mais um metro abaixo, ao rebentar na barreira, iria ferir, se não matar, alguns camaradas que estavam mais próximo. Quase ninguém se apercebeu do perigo por estarem a olhar para mais longe. Também, eramos novos de idade e estas situações por vezes passavam-nos ao lado. Já não recordo tudo, mas lembro-me de ter questionado o homem da bazuca. “ Atenção pá! Eleva o ângulo de tiro! Essa passou muito perto da barreira! Olha lá essa mer….!” “É o que tenho estado a fazer.” Foi a resposta do homem da bazuca.



A coisa ficou por aqui, mas tenho a certeza do que naquela altura vi, dado estar focado a tirar fotografias e estar no enfiamento da cena. Costumo sempre dizer, que de entre muitas outras razões, inclusive o treino militar que tivemos, a sorte acompanhou-nos, estando sempre do nosso lado.


Estava muito próximo e poderia ser um dos atingidos, juntamente com outros camaradas que assistiam e também estavam perto. Claro que esta situação foi um motivo para à noite comentar com alguns camaradas graduados, que pouca importância deram ao caso e festejar com umas bem aviadas “bejecas”, pois a minha teoria de um dia de cada vez, estava a resultar e este dia já tinha passado.


Claro que estivemos muito perto de sofrer um acidente, numa das vezes que se disparou a bazuca, dado que tudo o resto correu bem. Penso que o que se passou foi assim: O municiador, que já não me lembro quem era, colocou a granada na parte traseira da bazuca e após efectuar as ligações, dá como pronta a função e bate duas vezes com a mão na cabeça do apontador. Após receber o ok do municiador o apontador de imediato disparou. O ok com as duas palmadinhas e dado o acto continuo de disparar, deve ter motivado o abaixamento da boca da bazuca, fazendo com que desta vez a granada passa-se mais perto, do cume da citada barreira de protecção. O fotógrafo estava lá, pois caso não estivesse, talvez, não narrasse este testemunho.

A sorte mais uma vez nos protegeu, sendo nós audazes ou não. 
     
JM       

sábado, 12 de janeiro de 2013

Vivemos o pior e aprendemos o melhor

Transcrevemos na íntegra o depoimento recolhido pela jornalista do  Correio da Manha, Vanessa Fidalgo,na sua revista dos Domingos,do dia 26 de Agosto de 2012, com o título " A Minha Guerra ". 

Como vão reparar trata-se de um relato do nosso ex camarada da C Caç 2505, Leonel Costa.

Talvez por lapso de interpretação, somente actualizamos a data da Comissão que   é bem de Angola 1969-1971 em vez de Angola 1971-1973. Aqui fica a correcção.

JM


" a minha guerra    Depoimento recolhido por Vanessa Fidalgo "

" VIVEMOS O PIOR E APRENDEMOS O MELHOR"

NA MINHA COMPANHIA HOUVE CINCO MORTOS E OITO FERIDOS. E DEVO CONFESSAR QUE DEVO A MINHA VIDA À BEBEDEIRA DE UM CAMARADA

LEONEL COSTA


COMISSÃO
Angola, 1969-1971

FORÇA
Batalhão 2872, Companhia de
de Caçadores 2505

ACTUALIDADE
Vive em Arganil e tem uma empresa
de construção civil


Assentei praça em Leiria com 20 anos e fui tirar a especialidade de apontador de metralhadora no quartel de Abrantes. Depois fui fazer o IAO à base de Santa Margarida, ou seja, a preparação para combate, mas que era por quem nunca tinha estado no meio do mato a combater.
Embarquei no navio Uíge em Maio de 1969, com destino ao norte de Angola.
Foram doze dias em que viajámos como ratos, no porão, onde nem sequer casas de banho havia. Havia, isso sim, muitas melgas, de tal forma que, quando desembarquei em Luanda, já ia com paludismo e fui directamente para a enfermaria militar do Grafanil, enquanto o meu batalhão seguiu para a zona três, ou seja, a zona de Maria Fernanda, nos Dembos. a pior zona da guerra em Angola.
Logo no primeiro dia fomos atacados pelo inimigo e o dia mais triste da minha companhia foi ter de fazer mais de 60 quilómetros para ir levar o cadáver do rapaz a outro acampamento, pois como tínhamos acabado de chegar nem sequer tínhamos urnas para o transportar. Foi chorar de pena,de ódio, de raiva o caminho todo, para lá e para cá...
Servia-nos de consolo o correio, as cartas da família  e das madrinhas de guerra que chegavam duas vezes por semana e isso era quando chegavam, pois muitas vezes o comboio era atacado pelo caminho, sofria emboscadas e não havia entregas.
Da zona de Maria Fernanda fomos para a beira do rio Dange, onde ficámos literalmente abandonados à nossa sorte. Muitas vezes tivemos mesmo de de pescar se queríamos comer, pois nem mantimentos lá chegavam. Aí perdemos mais um homem, também num ataque.
De lá, seguimos para Luanda e depois para o Zenza, onde fazíamos missões de intervenção, ou seja, ajudar outra companhia que estava em dificuldades.


Um momento de descontracção com os colegas  no rio Dange, em que aproveitaram para subir a uma pedra, no meio do rio, sob a protecção dos companheiros
Num quimbo no sul de Cassange, onde fazíamos protecção a uma companhia de  engenharia que abria uma  picada.  Tínhamos comprado uma galinha ao soba para o almoço.
No dia em que recebi a metralhadora, em Maria Fernanda
Devo a minha vida

Seguiu-se o Nambuangongo e aí deixámos ficar mais três homens, se bem que aí foi por causa de um acidente. Na realidade eu também seguia a bordo da berliet que se virou, mas devo a minha vida a um camarada que, por acaso, nesse dia fazia anos e estava com os "copos". É que como operador de metralhadora eu costumava viajar numa berliet de torre, ou seja, lá dentro. Mas como ele, que era o condutor da berliet de torre estava bêbado, fui numa berliet de parapeito. Foi a Minha sorte! Quando se deu o acidente fui projectado para a berma da estrada, antes da berliet ter dado dezenas de voltas e ter-se despedaçado no fundo de uma ribanceira. Se aquilo tivesse acontecido na berliet de torre, eu tinha ficado lá dentro e era morte certa.
Nunca tive oportunidade de agradecer a esse rapaz, porque ele também veio a morrer, noutro acidente. Depois de Nambuangongo fomos terminar a comissão no Lungué Bungo, onde morreu o Jonas Savimbi. No sítio onde ele caiu morto, debaixo de uma mangueira, era onde eu e os meus colegas costumávamos esperar que o avião aterrasse para entregar o correio...
a Minha companhia sofreu, no total, cinco baixas mortais, e oito feridos.
Numa operação em que descobrimos um acampamento de "turras"

Em Nambuangongo, quando íamos buscaro correio que, por engano, tinha ido para a Beira Baixa
Como presidente da associação de ex-combatentes de Arganil, que tem quase 250 sócios, costumo até dizer aos outros homens que, por lá, vivemos o pior e aprendemos o melhor, que foi o sentido da união e da camaradagem. Às vezes choramos, às vezes rimos, mas é para isso que servem as recordações.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

ENCONTRO CONVÍVIO 2013 C CAÇ 2505

AGENDADA A DATA DO NOSSO ENCONTRO 2013

Não podia haver melhor maneira de começarmos o ano. Aproveitando a estadia em Portugal do Fernando Nunes e do Rogério Rodrigues, foi agendada para o dia 4 de Maio, a data do Encontro/Convívio 2013 dos ex combatentes, familiares e amigos da nossa Companhia.

Como já é do conhecimento de quase todos os elementos da C Caç 2505 a data do nosso Convívio Anual será sempre o sábado anterior ou posterior ao dia 8 de Maio, dia da nossa partida, no Uíge, para a então Província Ultramarina de Angola.

Oportunamente e mais próximo daquela data, comunicaremos o local onde se irá realizar mais este evento.

Guarda este dia para estares presente no nosso Encontro e poderes, quem sabe, voltar a dar um abraço a quem já não vês há muitos anos.

A  Comissão Organizadora
JM/JS