terça-feira, 11 de junho de 2013

OUTROS CONVÍVIOS

Numa leitura cruzada ao Correio da Manhã, descobri que este jornal publica semanalmente uma pequena coluna, indicando as datas de encontros de ex-combatentes de outras unidades, identificando também o local onde serviram e respectivos anos.
Algumas destas unidades, foram contemporâneas nesses locais com a nossa companhia.
Por mera curiosidade e talvez outros contactos, vamos passar a postar, também, com a periodicidade semanal. Gostaria de conhecer a vossa opinião.
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
01JUN2013
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
08JUN2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013

XX ENCONTRO NACIONAL COMBATENTES

10 DE JUNHO 2013 EM BELÉM


Realiza-se hoje em Belém, na cidade de Lisboa com a promoção da Comissão Executiva do Encontro Nacional de Combatentes 2013, o seu XX ENCONTRO NACIONAL.
Integrado nas Comemorações do 10 de Junho de 2013, as comemorações têm o seguinte programa:

10H30 - Missa Mosteiro dos Jerónimos
11H30 - Concentração
12H00 - Abertura pelo Presidente Comissão Alm Melo Gomes
12H05 - Cerimónia inter-religiosa
12H10 - Discurso homenagem Combatente de Isabel Jonet
12H20 - Homenagem aos mortos com deposição de flores
12H40 - Hino Nacional com salva por navio Marinha
12H45 - Passagem aeronaves da Força Aérea
12H50 - Passagem pelas lápides combatentes mortos
13H10 - Salto paraquedistas
13H30 - Almoço

Estarão presentes, como convidados, várias personalidades. Como é costume estas cerimónias estão abertas ao público em geral.

JM

AOS QUE DERAM A VIDA PELA PÀTRIA


Neste dia, 10 de Junho, não o posso deixar passar sem relembrar, prestando aqui com breves palavras, uma simples homenagem aos nossos camaradas, que morreram ao serviço da Pátria.

Para mim e a todos os que com eles mais conviveram, deixo aqui uma ou outra recordação de bons momentos passados.


Para aqueles ex-camaradas combatentes que embora não tenham tombado, mas que sofreram deficiências no cumprimento do dever, também deixo aqui a minha lembrança e homenagem.

Este pequeno sentimento é extensivo a todos os militares combatentes ou não, que servindo outras unidades, também pereceram ou ficaram deficientes nos vários teatros de guerra onde participaram.


A todos estes homens, gostaria que Portugal não os recordasse só neste dia, mas que os acompanhasse, prestando-lhe todos os dias o devido reconhecimento e homenagem. 

JM

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Uma caçada que podia ter corrido mal...

Como sempre, quando caçávamos, estava sempre na primeira linha, nunca perdia uma oportunidade de participar numa caçada.

Partimos do Canage, com um Unimog e um jipe (designado na gíria por cabra), em direção a uma planície frequentada por Gnus (conhecidos por bois/cavalos). Nessa planície encontramos uma manada num bebedouro, que se pôs em fuga ao aperceber-se da nossa presença, perseguimo-la com o jipe, e, pouco depois perdemos o contato com o Unimog, continuamos a perseguição, mas o terreno era ondulado e o jipe saltava com alguma violência, o que provocou o rompimento da lona dos assentos traseiros, onde ia sentado com o guia; na impossibilidade de continuar a perseguição, devido aos impactos com os ferros, pedi ao condutor, o J Inês, para parar a viatura, apeei-me, e fiquei junto duma moita, o Inês, o guia e outro camarada que não me lembro quem seria, continuaram até desaparecerem no horizonte (soube depois que o guia também saiu da viatura).

No princípio não fiquei preocupado, mas com o passar do tempo, o jipe não dava sinais de vida, não me recordo dos pensamentos que me passaram pela cabeça, mas seguramente tive noção exata, naquela tarde, que não regressaria ao aquartelamento, nem saberia sequer se alguma vez voltaria.

No silêncio daquela planície, foi com grande alívio que comecei a ouvir o barulho do motor, ainda sem ter a viatura à vista, até que comecei a ver a sua aproximação ao local onde me encontrava, traziam um exemplar da caça, que conseguiram abater, imagino a distância que percorreram, que nem ouvi o tiro disparado sobre o animal. Tudo isto terá demorado mais ou menos 2 horas.

De regresso, já na picada, reencontramos o Unimog com os restantes "caçadores" (não me recordo o nome de todos os ocupantes, mas eram alguns dos que estão na 1ª foto, que poderão ser identificados por outros camaradas nos comentários, que desejamos venham a aparecer).

A memória já não consegue registar tudo o que se passou, mas no último almoço da C. Caç. 2505, onde reencontrei o companheiro Inês, ele próprio, me disse que tinham andado perdidos, e que chegaram a pensar que não me conseguiam encontrar, depois de andarem às voltas, vislumbraram os sinais dos rodados do carro marcados no chão, seguiram-nos, foi assim, que conseguiram regressar

Foi desta maneira que terminou uma caçada que podia ter corrido mal… hoje, talvez, não pudesse testemunhar este acontecimento, ou teria outros desenvolvimentos para contar…



Fotos e texto de: F. Santos
PS. Apenas a 1ª foto diz respeito à caçada testemunhada, as outras 2, foram tiradas noutras caçadas.

sábado, 25 de maio de 2013

AMIGOS QUE O TEMPO NÃO APAGARÁ!


Amigos que o tempo não apagará!
BAÍA DE LUANDA NOS ANOS 1969/1971
“Como nasce uma amizade?

A amizade nasce, como expressa Milan Kundera “com ela nos sentimos à vontade e somos levados a expressar-lhe o nosso eu. …Chega no momento em que experimentamos forte impulso de simpatia, interesse e afinidade.

E continua “A amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu.

E termina “… a amizade como um valor acima de todos os outros. Gostava de dizer: entre a verdade e o amigo, escolho sempre o amigo.”

Aqueles com quem convivemos regularmente, com os quais trocamos alguns favores, que conhecemos há muito tempo, será isto uma verdadeira amizade? Pensamos que não é assim. Será que podemos ser amigos com quem nos encontramos poucas vezes, com ausências prolongadas?

Vou citar uma passagem do pensamento de “Vinicius de Moraes”

“Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações. Pois boas lembranças, são marcantes, e o que é marcante nunca se esquece! Uma grande amizade mesmo com o passar do tempo é cultivada assim!”

Depois destas citações, vou voltar ao tema da amizade, para recordar um amigo especial, um amigo com quem apenas convivi pouco mais de 5 meses, um amigo que me marcou e que jamais poderia esquecer. No entanto estivemos 42 anos sem quaisquer contatos, mas, durante toda essa ausência, nunca deixou de estar presente no meu imaginário.

No último almoço da C. Caç. 2505, reencontramo-nos, passados todos estes anos, foi para mim uma sensação muito boa, voltamos ao tempo do Dange, de Luanda, ao tempo dos nossos vinte e poucos anos. O tempo do reencontro foi pouco para acabar a nossa conversa, retomaremos certamente, num futuro próximo.

Como diz Vinicius de Moraes:

Pois boas lembranças, são marcantes, e o que é marcante nunca se esquece!”

Ou ainda como expressa Milan Kundera:

Os amigos são testemunhas do passado, eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar.”

Toda amizade é uma aliança contra a adversidade,…

Penso que uma grande amizade, “Chega no momento em que experimentamos forte impulso de simpatia, interesse e afinidade”, não tem tempo, não tem distância, ela existe e nada a poderá destruir, são os amigos que fizemos em situações difíceis, num teatro de guerra, são os amigos que o tempo não apagará!



Texto de: F.Santos
Fotos dos anos 69/71 de: F. Santos

PS. Dedico este texto a todos os meus amigos, que comigo conviverem em Angola nos anos de 69, 70 e 71, para todos eles, um forte abraço.

FS.







terça-feira, 14 de maio de 2013

Três episódios na vida dum "operacional"!


(A jiboia… a bússola… e a G3, ou a vida atribulada no Dange…)


Casa nova, vida nova, é o que se costuma dizer quando mudamos de casa ou de emprego…, neste caso nem mudámos de casa nem de emprego, deixamos apenas umas funções e fomos investidos noutras.

As novas funções não nos traziam tantas preocupações como as anteriores, pois, limitavam-se aos serviços da companhia, operações no interior da mata (3 a 5 dias) e colunas motorizadas para proteção de viaturas civis, entre as Fazendas Maria Fernanda e Maria Manuela, a partir do nosso acampamento na foz do rio Loge, que desaguava no Dange. Mas não estávamos de todo sensibilizados para estas tarefas, mas lá íamos cumprindo sem dificuldade de maior. 

No desempenho dessa função de “operacional”, aconteceram vários episódios, dos quais escolhemos três, que na nossa opinião, têm algum interesse, para que não se perdessem e perdurassem na nossa memória coletiva: 

A jiboia

De regresso duma missão à Fazenda Maria Manuela, já era início de noite, não nos recordamos qual a missão, mas também não é importante para o episódio que vamos narrar. Quando nos aproximávamos do aquartelamento da companhia de cavalaria, “Os Centauros”, que fazia a proteção à construção da ponte sobre o Dange (Ponte Totobola), chama-se assim, não sei porquê, talvez por ser a ponte da sorte, sorte! não faço ideia de quê! Mas vamos continuar; aí chegados, a uma distância que não sei precisar com exatidão, todavia não devia ser longe do aquartelamento da referida companhia, deparámo-nos com uma jiboia enorme que ocupava toda a largura da estrada, como não queríamos passar sobre o bicho, não porque o pudesse magoar, mas não queríamos, parámos as viaturas, apeámo-nos, discutimos o que fazer, e, saiu um decisão brilhante, matar a jiboia a tiro, não sei quem disparou, nem isso interessa muito, penso que o bicho morreu, mas ao ouvirem todo aquele tiroteio, os nossos amigos “Os Centauros”, pensaram de imediato que estavam a ser atacados pelos “turras” (nome vulgar porque eram conhecidos os guerrilheiros). Organizaram-se imediatamente, e, em coluna apeada, dirigiram-se para o local de onde vinha o som das rajadas, na sua deslocação, demorou pouco tempo, vislumbrarem as luzes das nossas viaturas, verificaram então, que não se tratava de nenhum ataque, era apenas mais uma “maçaricada” dos vizinhos do Dange. Tivemos sorte, porque “Os Centauros” já eram “velhinhos”.




A bússola                                                     



Estava tudo no seu lugar, era mais uma manhã tranquila no nosso aquartelamento, havia no entanto, qualquer coisa de diferente, tínhamos em nosso poder um guia que tinha sido guerrilheiro naquela região. Claro que se antevia uma operação guiada, com um objetivo muito concreto, assaltar um acampamento inimigo, só não sabíamos quando. Pois aconteceu que veio a ordem para a operação ter início nessa manhã; o sol já ia alto, não tivemos direito a almoço quente, e, preparámos tudo; rações de combate, cantis com água, oleado e a inseparável G3; os dois pelotões que tinham sido escalonados, onde nos incluíamos, partiram com as mochilas às costas.

Pernoitamos numa encosta, o mais perto possível do objetivo, essa noite foi horrível, o frio era imenso, e não tínhamos agasalhos para essa eventualidade, juntamo-nos em grupos, delimitamos uma área em círculo, cada um desses grupos formava um posto de vigilância, com um vigia, que era rendido ao longo da noite, cada camarada fazia um turno de vigilância. O frio era tanto que nos tapámos com os oleados, que não foram suficientes para nos aquecer. Ao levantarmos de manhã, tínhamos cavado uma vala aos pés, de tanto nos mexermos.

No último dia já cansados de andar às voltas, o alferes que comandava a operação, já irritado, voltou-se para o guia, e perguntou-lhe: “Então você não sabe onde é o acampamento?”; o guia a tremer, apavorado, todo ele transparecia medo, respondeu com a voz trémula: “meu alferes veja aí na máquina” (máquina era a bússola que o alferes empunhava naquele momento, mas que não ajudava muito…). Continuamos a nossa caminhada, mas a única coisa que encontramos foi um acampamento abandonado há muito tempo.

A G3
Periodicamente, dado que não conseguíamos gastar as munições nas operações, e convinha testar o armamento, fazíamos treino de tiro.

Naquela tarde o alvo era a encosta em frente ao nosso aquartelamento, virada a nordeste do outro lado do Dange. Foram testadas todas as armas, bazuca, breda, morteiro etc…, foi também efetuado tiro de G3, de repetição e rajada, o tiroteio foi tanto que derrubámos as árvores mais altas da encosta. Derrubámos! nem todos, pois o vosso amigo “operacional” nem um tiro conseguiu dar de tanta sujidade acumulada na G3 que tinha distribuída à sua responsabilidade.

Conclusão andou todo esse tempo, em operações e colunas, com uma arma às costas que só serviu para fazer peso, dificultar a caminhada e talvez assustar o inimigo.

F. Santos

terça-feira, 7 de maio de 2013

ENCONTRO POMBAL 2013 C CAÇ 2505

- ENCONTROS C CAÇ 2505-
ENCONTRO C CAÇ 2505 EM POMBAL 2013

Com um dia de sol aberto e temperatura primaveril, os primeiros participantes, começavam a chegar, quando já passava das 10H30. Claro que eu e o F Santos, que viajou comigo, ainda não eram 10H00 e já tomávamos a bica matinal ao balcão do Manjar do Marquês.

Com o decorrer do tempo e como sempre,os que já faziam parte da concentração, aguardavam com alguma expectativa  os que iam chegando. Logo, havia abraço entusiásticos, uns mais apertados que outros e se expressava por vezes   frase: " Eh pá, cada vez estás mais novo".

Ao fim de mais ou menos quarenta e dois anos ( 1 de Julho de 1971), tivemos o prazer de voltar a rever três ex-camaradas que nunca tinham participado nestes encontros. A expectativa era muita e os anos passados, ao modificarem a nossa fisionomia, deixando a sua marca, colocava-nos em frente destes ex-camaradas, com ar de muita interrogação e dizíamos: "Eh pá! Eu sei quem és mas não me lembro do nome", ou " são muitos anos, não sei qual é o teu nome". Para os que com eles mais de perto conviveram, logo acertavam no seu nome e exclamavam: " olha o fulano tal. Eh pá dá cá um grande abraço". Bom! Neste encontro os três ex-camaradas mistério, foram o F Santos, nosso vago mestre, o F Nunes e o R Rodrigues.

Aproximava-se a hora marcada para o almoço, e também  a hora das nossas fotos de grupo ( militares e militares com família). A estas fotos faltaram dois elementos que se atrasaram por motivos justificados.

FOTO MILITARES 2505
FOTO MILITARES E ACOMPANHANTES
Entramos para o lugar reservado ao nosso almoço e ocupamos os nossos lugares. Como também tem sido norma e antes de iniciarmos o repasto, proferi algumas palavras, dando as boas vindas a todos os presentes, congratulando-nos pela sua participação, expressando o sentimento causado nestes convívios, comunicando a ausência de alguns que enviaram à reunião um forte abraço e votos para que est fosse um bom convívio. 

Por fim, chegou o momento de pronunciar os nomes, relembrando os nossos mortos, na então Província Ultramarina de Angola, assim como dos que temos conhecimento, após o seu regresso, fazendo um minuto de silêncio.

Após esta pequena intervenção começou a ser servido o almoço. Falando do menu servido, como sempre, em qualidade e quantidade, notei este ano, menos ordem e demora na maneira como foi servido. de qualquer modo, não deixou de ter nota muito positiva.

O ALMOÇO

Já nos cafés e digestivos, formaram-se pequenos grupos em amenas  "cavaqueiras" e decerto em todos eles com conversas relembrando episódios passados.


O Tempo não perdoa, as horas passam, começaram as despedidas e a companhia começou a destroçar.

O PAGAMENTO
 Os últimos a abandonar o Manjar do Marquês, mais ou menos pelas 19H00, para além de mim, foram o F Santos, por motivos óbvios e o A Carlos.

Gostei bastante.
JM

PS: Embora me tenha sido lembrado não coloquei aos presentes no nosso almoço, qual a sua opinião, do local e possível  restaurante, onde para o ano poderíamos efectuar a passagem do 45º. Aniversário da nossa partida para Angola.
Dado em termos habitacionais a maioria dos nossos camaradas se encontram a norte do rio Tejo, será conveniente que o local não se situe muito a sul.
Podendo já ficar em carteira, solicito agora, que na página inicial e em comentário, os combatentes da nossa companhia nos possam indicar esse local.
JM