domingo, 9 de fevereiro de 2014

OUTRO CAMARADA QUE NOS DEIXOU

-NOTÍCIA-
Tivemos posterior conhecimento do falecimento no dia 7 do corrente, do nosso camarada José Tavares Antunes.
O Antunes era soldado atirador da nossa Companhia e creio que pertencia ao 2º. Pelotão. Ultimamente vinha sofrendo de vários problemas de saúde inclusive os cardiocirculatórios. Tinha 66 anos de idade, era natural de Foz de Arouce e residia em Vila Nova de Poiares. O funeral realizou-se ontem às 10H30 para o cemitério daquela localidade,
Frequentava com regularidade os nossos almoços/convívios anuais, pelo que vamos sentir a sua falta. Aos que com ele conviveram, ficará também a saudosa recordação.
A toda a família, deixamos aqui um profundo sentimento de pesar, pela sua precoce partida.
Que descanse em paz.
JM

OUTROS CONVÍVIOS

-NOTÍCIA-
Como tem sido hábito postamos mais um PE, publicado no CM do último sábado.
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
08FEV2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

VII - AS TERRAS-DO-FIM-DO-MUNDO São Terras de Portugal – cantava o Quarteto 1111

-FARDA OU FARDO?-
Depois de cerca de 3 meses de Serviço à Rede de Luanda, a Companhia de Caçadores 2506 recebeu guia de marcha, separando-se do seu Batalhão, para ir reforçar o dispositivo do Batalhão de Cavalaria 2870, instalado no Kuando-Kubango, Distrito ainda hoje designado por Terras-do-Fim-do-Mundo.
ONDE ESTOU E PARA ONDE VOU
Como o Capitão Santana se encontrava doente, fomos comandados pelo Capitão Pires, da CCS, e acompanhados pelo Comandante Tenente-Coronel Soares, este último regressado logo de imediato a Luanda para junto do seu e nosso Batalhão. O Capitão Pires voltou mais tarde para a sua CCS logo que foi substituído pelo já restabelecido Capitão António Filipe Reis Santana.

O Batalhão de Cavalaria 2870 tinha a CCS e uma Companhia Operacional sediadas em Serpa Pinto (atual cidade de Menongue, designação, já nessa altura, da Rádio local), uma Companhia no Cuito Cuanavale - que enviava um Destacamento para o Lupire (onde morreu o meu grande amigo e camarada Sarreira, carinhosamente por nós designado por Sarreirita  - noutro artigo abordarei peripécias com este saudoso amigo e a forma como ele faleceu) - e a outra Companhia estava aquartelada em N’Riquinha, junto à fronteira com a Zâmbia, e enviava um Destacamento para a Coutada de Mucusso – nosso destino de agora -, ponto relativamente próximo à fronteira com a Namíbia, então designada por Sudoeste Africano, território formalmente administrado, por mandato da ONU, pela República da África do Sul, mas efetivamente considerado por esta como território seu. 

Chegados a Serpa Pinto, completamente exaustos duma longuíssima viagem de alguns dias, e feitos os preparativos para o destino final, sofro o meu batismo de voo, pois sou metido num Avião Dakota sul-africano, com mais 18 camaradas, viajando de pé, arma e bornal às costas, com destino à fronteira sul para recebermos 6 viaturas Bedford provindas da RAS. Sobrevoada a Base Sul-Africana do Rundu (palavra que normalmente era pronunciada “Runtu”) a baixa altitude, o piloto recebe a informação que as viaturas já se encontravam do lado de Angola e fomos então aterrar numa pista curta e de areia grossa, mas consistente, na localidade do Calai, junto ao Rio Kubango e perto do Rio Cuito. Recebemos as viaturas e ficamos a aguardar a coluna formada pelo resto da Companhia que partira entretanto de Serpa Pinto.
NO TRAJETO-O AUTOR E O ADÁRIO



EM ARTUR DE PAIVA









Todos juntos de novo, lá vamos a passo de caracol para a Coutada de Mucusso, pois essa zona já se integra no Deserto do Calaari, o terreno é arenoso e as viaturas não conseguem exceder os 30 Kms/hora. Acresce que para atravessar o Rio Cuito, não havendo ponte, a única solução era utilizar uma jangada flutuante cujo tempo de travessia é de cerca de 20 minutos para cada lado, com cabos de aço puxados à mão, e cuja capacidade de carga era de uma única viatura, e descarregada. Imagina-se, portanto, o tempo necessário para a passagem de todo o pessoal duma Companhia, com o manancial dos seus materiais militares.
A JANGADA-RIO CUITO
HIGIENE MATINAL NO RIO CUITO









Chegados à Coutada, rendemos então um Grupo de Combate, comandado por aquele que é hoje o meu amigo e colega de profissão, à altura Alferes Miliciano Esteves, com quem me interligo diariamente via Internet.

Recordo-me do Paixão, Furriel Miliciano desse Pelotão, estar permanentemente a dizer “eh pá, nós somos de Cavalaria! Nós somos de Cavalaria”, brincando connosco por sermos os chamados “caçanhos” – de Caçadores. Um belo dia, estando nós ainda em sobreposição com eles, o Glória acorda o Paixão às 3 horas da madrugada. E o Paixão, estremunhado, pergunta: “Que foi? Que foi?” O Glória responde prontamente: “Oh pá, está na hora de ires dar de comer ao cavalo!
AREIA DO DESERTO DO CALAARI
AQUARTELAMENTO: TENDAS CÓNICAS JÁ MONTADAS








Estudadas as melhores posições e respetivo armamento pesado para ser mantida a necessária segurança, e uma vez completada esta, foram montadas as tradicionais tendas-cónicas para os Cabos e o Zé-Soldado, feita a distribuição dos Graduados pelos poucos Quartos existentes, em madeira assente em estacaria (lembrar que os aposentos eram de uma Coutada de Caça Grossa), instalou-se o Parque das Viaturas e respetivas Oficinas, a Arrecadação de Combustível, de Material de Guerra, o Armazém de Géneros, o Serviço de Enfermagem, de Transmissões – separando, por razões óbvias, o Serviço Cripto -, Secretaria, Paiol, enfim, tudo que uma Guarnição Militar ao nível de subunidade carece. Para Messe foi utilizada uma pequena casinha redonda, no centro do aquartelamento, também de madeira, já existente. 
QUARTOS
MESSE: CAP SANTANA E SUA SIMPATIA SERVINDO
BEBIDA AOS SEUS COMANDADOS GRADUADOS









Cortaram-se árvores a moto-serra (com motor a gasolina) com cujo material tudo que não existia se construiu de raiz, incluindo espaldões para defesa, distribuídos de modo estratégico, dentro do circuito de arame-farpado entretanto reforçado ao já existente que se encontrava de forma rudimentar e pouco robusta. Com tijolos feitos no local concebeu-se um resguardo para um Filtro de Água Potável. E até um forno para fazer pão apareceu rapidamente, fruto de mãos habilidosas de gente habituada ao ofício. Instalações Sanitárias do nada surgiram, e inclusive chuveiros se improvisaram. Entretanto fomos abastecidos de um Gerador e, já mais tarde, de Frigoríficos a Petróleo, que muita falta fizeram no início, pois sendo abundante a caça e o único meio de subsistência para compor a ementa, além do tradicional bacalhau embalado em latões de alumínio – que encarecia substancialmente o custo orçamentável - e das conservas tipicamente portuguesas, não fosse a utilização massiva e contínua dessa carne muita dela se teria estragado pela sua deterioração rápida, face à amplitude térmica elevada nessa região. De dia a temperatura atingia os 45º e à noite descia para os 5º, tipicamente clima desértico. Foi o local onde senti mais calor e mais frio, no mesmo dia, em toda a minha vida. 
ESPALDÃO PARA ABRIGO
    
VISÃO ACAMPAMENTO DO LADO DA CHANA









Carlos Jorge Mota

NOTA: Trata-se de um testemunho de um camarada e amigo da 2506, nossa companhia irmã. Mais à frente em outro artigo, irá relatar um episódio que presenciou, insólito senão único, passado na Guerra do Ultramar.
O nosso obrigado ao Carlos Jorge pela colaboração e pelo enriquecimento que traz ao blogue, que também é seu.
JM

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

OUTROS CONVÍVIOS

-NOTÍCIA-
Mais uma semana passou e com ela um novo Ponto de Encontro foi publicado no CM. Vamos a isto...
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
01FEV2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

VI A MORTE DEMASIADO CEDO

-TESTEMUNHO-
A "estória" que agora conto antecedeu a formação da C Caç 2505, a nossa companhia.

Estamos em Lamego no decorrer da primeira metade do ano de 1968. Estamos no CIOE (Centro de Instrução de Operações Especiais), a tirar a especialidade com o mesmo nome (OP). São contemporâneos neste curso do CIOE, no COM e CSM os nossos camaradas de Batalhão, A Madureira e A Freitas da C Caç 2506, J Marques e J Campos da C Caç 2504 e J Franco (já falecido) e eu próprio da C Caç 2505.


FOTO RECENTE CIOE
PORTA ARMAS CIOE










Todos os instrutores eram oficiais com patente igual ou superior a tenente, com excepção de um aspirante colocado neste grupo e proveniente de um curso OP anterior. O Comandante de instrução foi o major Fonseca, número um em curso de "Ranger" nos EUA. Os denominados pelotões eram designados em Lamego por Grupos de Combate formados por três Secções, cada uma com dez homens e seis Equipas com cinco homens cada. A todos nós, quer no COM ou CSM, separadamente, cabia a função de comandarmos por escala, o grupo, as secções e as equipas. Não me recordo na altura, quem comandava o quê, mas sei que o meu amigo J Campos da 2504, fazia parte da minha equipa.


GRUPO COMBATE INSTRUENDOS
Após esta apresentação vamos então contar o que se passou.

Nas matas de Castro Daire fazíamos uma progressão com vista a um objectivo, debaixo de fogo real. Esta manobra era completada por tiros de precisão, disparados por dois ou três oficiais designados, para muito próximo do instruendo, que não estivesse a cumprir a norma estabelecida para o exercício.
Progredíamos em "bicha de pirilau" com distância de homem a homem de mais ou menos dois a três metros, tomando o melhor caminho, abrigando-nos quando o fogo real era mais intenso. O Pereira, outro homem da minha equipa, que seguia à frente do Campos e logo seguido por mim, acabou por ser ferido de morte, pelo ricochete  de uma bala, desviada num rochedo de granito. A bala já um pouco desfeita, atingiu a carótida do nosso camarada, que apesar de todos os nossos esforço acabou ali por falecer.

O Pereira era natural de uma povoação perto de Lamego. Os dois restantes elementos da equipa, o Campos e eu próprio prestámos uma guarda de honra, junto à urna na Igreja da sua terra natal e transportámos o nosso camarada até à sua última morada naquela povoação.

Em todo o curso no CIOE, tivemos somente três dias seguidos de licença, que podia dar para ir a casa, conforme o caso e um dia por semana, que podia calhar de 2ª a 6ª feira, só comunicado na noite anterior. Bom! Nessa semana e finda a cerimónia do funeral do saudoso Pereira tivemos dois dias de licença.
Durante toda a especialidade, nunca conseguimos apagar aquela imagem, mas tenho a certeza que tudo o que ali passámos ajudou em muito o que a seguir tivemos de ultrapassar. 

Embora passando perto, vi a morte demasiado cedo.
JM         

domingo, 26 de janeiro de 2014

OUTROS CONVÍVIOS

-NOTÍCIA-
Passamos a postar o último Ponto de Encontro, publicado no passado sábado pelo CM.
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
25JAN2014

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

VAMOS COLABORAR

-OPINIÃO-
O nosso blogue festejou no passado dia 16 de Novembro, o seu terceiro aniversário. A sua criação teve o objectivo de estabelecer e manter uma relação mais próxima e viva com todos os ex-combatentes da companhia, familiares e amigos.

Sendo um blogue aberto, permite também, o estabelecimento de relações com outros ex-combatentes amigos que connosco tiveram contacto ou partilharam os mesmos locais por onde passámos.

Poderá, também, estabelecer ligação com outros ex-camaradas da companhia, que nunca participaram nos nossos convívios anuais.

Durante toda a tua vivência militar deves ter entre muitas, alguma "estória", que connosco poderias partilhar.

Participa, comenta ou opina em
www.ccac2505.blogspot.pt

Envia um escrito com a tua "estória" para publicação identificada ou anónima em
companhia.cacadores.2505@gmail.com
ou
jotamerca@gmail.com 

Aquele Abraço Amigo
JM