quarta-feira, 23 de abril de 2014

ENCONTRO 2014 C CAÇ 2505

-NOTÍCIA-
Vamos de novo comemorar em Pombal, no Restaurante O Manjar do Marquês, no dia 10 de Maio, a passagem do 45º. Aniversário do nosso embarque, no paquete Uíge, com destino à então Província Ultramarina de Angola.

Já enviámos carta para todos os combatentes da Companhia, dos quais possuímos endereço e que abaixo postamos, assim como, colocámos também um anúncio a publicar pelo Correio da Manhã, na sua coluna Ponto de Encontro, nos próximos sábados dias 27 de Abril ou 3 de Maio.

JM

terça-feira, 22 de abril de 2014

OUTROS CONVÍVIOS

-NOTÍCIA-
Aqui está mais um PE, publicado no CM do passado sábado.
JM 
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
19ABR2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

FELIZ PÁSCOA 2014


PARA TODOS OS COMBATENTES FAMILIARES E AMIGOS DA 
COMPANHIA DE CAÇADORES 2505 
VOTOS DE UMA PÁSCOA FELIZ

OUTROS CONVÍVIOS

-NOTÍCIA-
Aqui continuamos a postar os próximos encontros de militares, publicados no PE do CM.
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
12ABR2014

domingo, 13 de abril de 2014

XXVIII - O TATARELHO APONTA-ME A G-3

-FARDA OU FARDO?-
Chegados à Estação de Cangumbe, acampámos na zona exterior à Unidade ali instalada, fora do arame-farpado, num terreno desmatado e ligeiramente inclinado para o lado da via-férrea. Partiríamos cedo, pois o nosso objetivo distanciava daí uns cento e oitenta quilómetros para norte, a percorrer por picada perigosa dada a forte presença do IN nas imediações, zona da UNITA, terra-natal do seu Chefe. Feita a necessária segurança, em semi-círculo, pois de um dos lados situava-se o Aquartelamento de Quadrícula, procurámos descansar e dormir algumas horas, nos nossos sacos-cama.
QUARTEL EM CANGUMBE

Já bem noitinha, após ter dormido um pouco, sinto uma enorme vontade de satisfazer necessidades fisiológicas primárias. Se fosse reequilibrar fluidos, seria fácil, mas não, era mais completo. “E agora? Onde vou?” Sair do perímetro de segurança, naquela escuridão, seria desaconselhável. Lembrei-me, então: “e por que não ir dentro do Quartel aqui mesmo ao lado? “. Eles, por razões óbvias militares, de noite tinham uma pequena zona, virada para a Estação, e dentro do arame-farpado, permanentemente iluminada. A sentinela, desse lado, estava postada no interior duma fortificação tipo casamata, e quem para lá olhasse via unicamente a ponta do cano da espingarda, mas ela (sentinela) avistava tudo para fora. Eles tinham conhecimento que estava ali tropa. Todavia, há que preservar as elementares regras de segurança. Logo que me aproximo do arame para transpor a entrada, ouço uma voz, cumprindo o regulamentado: “Quem vem lá faz alto!”, mantendo a Espingarda-Metralhadora G-3 apontada para mim. Parei, disse que era da Companhia de Caçadores que estava no exterior e que precisava de ir ao WC. Cito o meu Posto e o meu Nome, e ele, mais uma vez, em obediência às regras estabelecidas, ordena categoricamente: “Avance ao reconhecimento!”. Ando uns passos e entro na zona iluminada. É então que ouço uma voz dizer, duma forma eufórica: “Oh Mota, estás aqui?”. Tratava-se de um rapaz que andou comigo na Escola Primária cujo nome não sabíamos porque lhe chamávamos “O Tatarelho”, dado que ele se exprimia duma forma muito peculiar. Ficou conhecido com essa alcunha, mas também não considerava isso um anátema e convivia bem com a situação. Acabada a Escola Primária, não pertencendo ele ao grupo de privilegiados que foi estudar, contrariamente à minha pessoa, com 10 anos começou a trabalhar, e nunca mais o vi, pois cada um seguiu o seu destino. Abraçámo-nos com visível emoção … sem ele abandonar o seu posto e vigilância, obviamente, e lá fui eu ao meu desiderato.

Manhã cedo, com uma das Berliets à cabeça da coluna, por evidente prevenção de eventuais minas na picada – a viatura pesada logicamente tem maior poder de absorção do impacto do engenho, mas também protegida com inúmeros sacos de areia, tal qual as viaturas ligeiras Unimogues – arrancámos para o local previamente definido onde iríamos bivacar para, daí, a Companhia efetuar as Operações Militares previamente definidas e cujo PC (Posto de Comando) se encontrava na CCS do Batalhão.


Carlos Jorge Mota

quinta-feira, 10 de abril de 2014

XXVII - CAMINHADA PARA O LESTE

-FARDA OU FARDO?-
Com destino já programado para o Leste, mais propriamente para o Distrito do Moxico, abalámos numa manhã cedo dos princípios de setembro de 1970 para Nova Lisboa, pela estrada alcatroada utilizada normalmente pelo tráfego civil uma vez que fica fora de área de atuação do IN. Parámos novamente em Quibala para um ligeiro descanso durante o qual se almoçou a Ração de Combate, completa, pois sabia-se que à chegada à capital do Distrito do Huambo haveria uma ligeira refeição quente à nossa espera, sopa pelo menos, num dos Quartéis onde pernoitaríamos. Aproveitei para ir a um Quimbo (Mosseque) que estava muito próximo e tirar umas fotografias com gente nativa, muito afável e prestável.

MOENDO O PIRÃO
MACAQUINHO BRINCALHÃO



















Retomada a marcha e chegados à tardinha a Nova Lisboa, atestaram-se viaturas num dos Aquartelamentos na denominada Zona dos Quartéis, concretamente no R.I. 21, comemos uma sopinha quente e fomo-nos recolher pois o dia seguinte iria ser árduo.

Alvorada tocada, dirigimo-nos para a Estação de Caminho de Ferro de Nova Lisboa do CFB - Caminhos de Ferro de Benguela, que liga a Vila de Teixeira de Sousa, na fronteira com o Congo ex-Belga (Zaire), ao Porto de Benguela (e que tem continuação para o Porto do Lobito), e que é utilizado por aquele país para escoamento marítimo dos seus produtos daquela sua área geográfica, nomeadamente minérios. Na Estação tínhamos um Comboio Especial já à nossa disposição no qual carregámos as viaturas, pesadas e ligeiras, e todo o material que necessitávamos, incluindo armamento e munições – tarefa trabalhosa e bastante demorada.











A viagem até à localidade definitiva, cidade do Luso, no Moxico, nosso destino final, iria ser feita em duas fases, dado que uma Operação de alguns dias, na zona do Munhango, Distrito do Bié, estava já programada, envolvendo todo o Batalhão, com as suas Companhias dispersas por uma área alargada, na zona de atuação da UNITA, precisamente na localidade onde nasceu o seu Comandante-em-Chefe, Jonas Malheiro Savimbi, cuja captura, a concretizar-se, seria um troféu preponderante. O comboio habitualmente fazia todo o percurso precedido duma Draisine, um pequeno veículo, totalmente blindado, que também era usado para Serviço de Obras na via, mas que ali desempenhava a função de detetar a eventual colocação de minas ou armadilhas, situação muito pouco provável atendendo a que o próprio Zaire não estava interessado na desestabilização deste importante braço escoador marítimo das suas mercadorias e impunha as suas regras aos Movimentos de Guerrilha que apoiava (FNLA, no Norte, e UNITA, no Leste), bem como a própria Zâmbia, que apoiava o MPLA, e que também utilizava esta via ferroviária, atravessando previamente território zairense.

Decorridas umas 4 a 5 horas de viagem, com algumas paragens pelo meio, chegámos finalmente, já pelo fim da tarde, ao nosso destino provisório: Estação de Cangumbe, em cuja proximidade a nossa Companhia iria atuar em Operações, pelo que foi necessário efetuar todo o processo inverso, isto é, descarregar viaturas e material.

Mesmo junto à Estação existia um Aquartelamento das NT, fortemente guarnecido, que, enquanto permaneceu dia, e depois de findos todos os procedimentos, para liberação do Comboio, nos permitiu alguma descompressão na respetiva Cantina e beber umas cervejas, que o calor apertava.

 Carlos Jorge Mota

terça-feira, 8 de abril de 2014

XXVI - OPERAÇÕES AO NORTE EM MATA CERRADA

-FARDA OU FARDO?-
Rendido já o Batalhão no Serviço à Rede de Luanda e colocado às ordens do QG (Quartel General) como reforço, somos escalados para duas Operações na zona do Zenza do Itombe, área de mata serrada, selva plena. Numa dela, a primeira, marcham dois Grupos de Combate da minha Companhia, que entraram no terreno pelo lado norte, operação conjugada com outras Unidades quer de quadrícula quer especificamente deslocadas para lá para o efeito. Na segunda, passados uns quinze dias, já a nível de toda a Companhia, mas a entrada na selva fez-se, desta vez, pelo lado sul, oposto portanto à da primeira.
RIO ZENZA
MATANDO O TEMPO, NUM INTERVALO SENTADOS EM CUNHETES DE
DE MUNIÇÕES. RIACHOS O HOMEM DE PÉ, OPERADOR DE TRANSMISSÕES
,QUE RECENTEMENTE NOS DEIXOU, DEPOIS DE TER ALEGRADO MUITOS CONVÍVIOS PÓS-DESMOBILIZAÇÃO

Estas Operações Militares envolviam, por norma, grandes efetivos, de múltiplas áreas de ação e com objetivos diferentes no terreno: uns com função de nomadização, outros com tarefas de emboscadas e outros ainda para Golpes de Mão, ou seja, assaltos repentinos aos aquartelamentos do IN referenciados.

Chegados ao nosso destino – cada Companhia tinha o seu ponto de estacionamento -, instalámos, montámos segurança e pernoitámos, pois a ação conjugada só teria lugar ao alvorecer do dia seguinte.

Deito-me dentro do meu saco-cama, com a arma ao meu lado, junto a um barranco com um desnível brusco de cerca duns 7 metros, mas afastado da orla da mata aí uns bons 20 metros, a fim de me salvaguardar duma eventual visita inesperada noturna duma jiboia ou bicho semelhante. Estávamos em alerta máximo contra todos os perigos, quer do inimigo humano quer animalesco. Adormeci quase de imediato, mas havia pessoal de vigia permanente. Passado um tempo que eu julguei ser de pouquíssimas horas, mas, resultante do cansaço e do stress pelos riscos da viagem, o alvorecer já despontava. Subitamente, ouço, mesmo ao meu lado, dois rebentamentos estrondosos. Pensei: - “duas morteiradas estão a cair-nos em cima”. Pego na arma, fico na expectativa da evolução da situação e, de repente, ouço: “Fogo!”. Eram dois obuses do pessoal de Artilharia que chegou já depois de eu adormecer, instalados precisamente no topo do terreno ao qual eu me encontrava encostado. Eu não os vi chegar nem os vislumbrava agora. Só quando me pus de pé.

Selva completamente cerrada, a Artilharia estava a bombardear zonas previamente marcadas na Carta Militar a fim de obrigar o IN a deslocar-se para pontos onde se encontravam as NT emboscadas. Tática operacional normal.

Acabada a Operação, regressámos ao Grafanil, onde iríamos fazer os preparativos para uma nova grande viagem, agora até ao Leste de Angola.
                                                
Carlos Jorge Mota