PARA TODOS OS COMBATENTES, FAMILIARES E AMIGOS DA C CAÇ 2505
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
FALECIMENTOS NO BATALHÃO
Tivemos conhecimento do falecimento do Comandante do nosso Batalhão, no dia 2 do corrente, Coronel na reforma, António Almeida Soares. Tinha 93 anos de idade.
O velório está na Capela do Largo da Luz, em Lisboa e o funeral tem lugar precedido de missa, hoje pelas 10H00, seguindo para Espinho, onde será sepultado em jazigo de família.
Também só agora tivemos conhecimento, do falecimento no dia 25 de Julho, do então Alferes Miliciano da CCS, Comandante do Pelotão de Reconhecimento, Rui Esteves Rodrigues, assim como, em Janeiro do corrente ano do então Capitão da CCS, Carlos Alberto Fernandes Pires, actualmente Coronel na Reforma.
O Batalhão de Caçadores 2872 está mais pobre.
Que descansem em paz.
JM
sábado, 26 de julho de 2014
OUTROS CONVÍVIOS
-NOTÍCIA-
Postamos três novos PE, dos últimos sábados publicados no CM.
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
12JUL2014
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
19JUL2014
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
26JUL2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
RUMO A UM CAIS EM LISBOA
-FARDA OU FARDO?-
Zarpámos
do Funchal cerca de meia-noite. Passámos, portanto, a parte diurna desse dia na
Ilha pois havíamos atracado logo de manhãzinha. Vejo o navio a começar a
navegar com a proa apontada para um pouco antes do bico do monte frente à
cidade. Fico assustado. Será que vamos bater ali? Questiono um tripulante
perante o meu alarme. Ele, tranquilamente, respondeu-me: “É que o navio está apontado para ali mas, com a corrente, ele vai
navegando de lado e iremos passar bastante para lá do morro”. Fiquei a
saber naquela altura que, tal como nos aviões, que sofrem a influência dos
ventos (mas aí eu tinha conhecimento), há também, na navegação marítima, uma
diferença entre Rota e Rumo. Entrámos no alto-mar, azimute de Lisboa na bússola,
com viagem prevista para cerca de 36 horas. Durmo tranquilo, ainda teríamos
mais duas noites e um dia de navegação. Como de manhã estava um tempo ótimo,
aproveito para me refastelar um pouco e gozar os últimos momentos do Vera Cruz.
A
última noite foi passada em grande desassossego uma vez que, pela manhã desse
dia 1 de julho de 1971, atingiríamos o Tejo. Mas, para nosso espanto, o navio
parou no meio duma neblina cerradíssima, que nada víamos num raio de 20 metros.
Soa o seu apito estridente e responde um outro mais fraquinho: era o da Lancha
dos Pilotos. Estávamos junto ao Farol do Bugio, viemos depois a perceber quando
o sol clareou, dissipado o nevoeiro. Sobe para bordo o Piloto do Porto da Barra
de Lisboa … e o navio começa a subir o Tejo, devagarinho. Passa sob a Ponte, então chamada de Salazar, agora de 25 de Abril, e começa-se a vislumbrar uma multidão no Cais de
Alcântara e não no da Rocha de Conde Óbidos, donde tínhamos partido em 1969, a
acenar, com lenços, chapéus e tudo que dava para abanar. Acostámos, em manobra
lenta e vagarosa, e alguma multidão entra em transe. Gritos de alegria vindos
de fora, acenos feitos de dentro. Minutos especiais em que disciplina rígida
tem que imperar, sob pena de perca do controlo da situação. A compreensível
ânsia é grande mas tem haver rigor no critério de saída. Chega a minha vez.
Desço o portaló e encontro logo de imediato, de Serviço de Prevenção de
Enfermagem ao navio, o que viria a ser o meu cunhado António, mais tarde
mobilizado para Moçambique. É o meu primeiro abraço. Rapidamente descubro os
meus familiares e a minha namorada. Ficará perene na minha memória esse
esperado momento do reencontro ansiado.
“Vamos embora, tenho
ali o carro!”, diz o meu cunhado Amorim (já
falecido). “Não posso. Temos que ir enquadrar
o pessoal até ao R.I. 2, em Abrantes (nossa Unidade Mobilizadora) para fazer o chamado espólio do fardamento,
tirar uma Radiografia Pulmonar e receber a Licença Registada por 30 dias e
ainda aguardar pela bagagem de porão!”. Assim se procedeu, mas eles, os
meus familiares, levaram o carro para Abrantes para me aguardar. Chegámos à
Unidade, transportados em Camiões Militares desde a Estação de Abrantes, onde
findou a sua marcha o Comboio Especial. Portanto, missão cumprida. Nós,
Milicianos, não fizemos espólio. O fardamento era nosso, pago por nós, com
dinheiro abonado pelo Exército mas descontado posteriormente no soldo.
É-me
feita uma Radiografia Pulmonar e é-me entregue a Licença Registada por 30 dias,
período durante o qual nos encontrávamos ainda no Ativo. Findo esse prazo,
entraríamos na chamada Disponibilidade.
Concluo logo que será melhor voltar ao RI 2 mais tarde para levantar a bagagem
de porão. Entro no carro e, após umas horas de compreensível conversa
emocionada, chego, finalmente, à minha rica cidade do Porto.
Adeus às Armas! Fim da Guerra! Mas será que foi mesmo
o fim da Guerra? NÃO, NÃO FOI! Constatamos todos nós, Combatentes, isso, hoje.
Ela somente hibernou … as nossas cabeças apenas entraram num período de nojo …
Sim, porque a Guerra é mesmo um nojo!…
Carlos Jorge Mota
domingo, 13 de julho de 2014
OUTROS CONVÍVIOS
-NOTÍCIA-
Embora com algum atraso, postamos o PE do dia 5 do corrente mês, publicado pelo CM.
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
05JUL2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
OUTROS CONVÍVIOS
-NOTÍCIA-
Postamos a seguir os PE dos dias 21 e 28 do passado mês de Junho e publicados no CM.
JM
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
21JUN2014
PONTO DE ENCONTRO
CORREIO DA MANHÃ
28JUN2014
quarta-feira, 2 de julho de 2014
XLI - MUDANÇA DE RUMO... A POUCAS HORAS DE LISBOA
-FARDA OU FARDO?-
Zarpámos
em plena noite, sem antes nos despedirmos, com uma olhadela curiosa, ainda de
dia, ao navio Império, que tinha
também acabado de levar tropas e que aguardava a saída do Vera Cruz a fim de acostar para início das operações de
carregamento.
![]() |
| NAVIO IMPÉRIO |
![]() |
| AS LUZES DO CAIS DE LUANDA,JÁ BEM LONGE |
Embora
cansados, conservámo-nos na amurada até deixarmos de ver totalmente Angola. E,
com a linha do horizonte a evidenciar a curvatura do planeta, já em pleno
alto-mar, era impossível dormir, com toda aquela azáfama. Bagagem de mão bem arrumada
no Camarote, o Bar do navio era o poiso de toda a “maralha”, alguns começando a
sua dose diária de bebedeira, reforçada ao momento por razões óbvias, ou por contentamento
indisfarçável ou por confusão mental súbita fruto do balanceamento do que
deixam e da nova e inesperada vida que vão encontrar … lá longe.
![]() |
| BELICHE NO CAMAROTE |
![]() |
| RASTO DA VELOCIDADE DE 21 NÓS |
Na
segunda noite seguinte, 23, seria a famosa Noite de São João da minha cidade do
Porto, que ainda não saborearia.
O Vera Cruz, tal como o Império, o Uíge, o Niassa, o Índia e
o Pátria, penso que não me falha mais
nenhum outro, eram navios que estavam fretados para transporte de tropas,
portanto, tinham os seus porões adaptados com beliches feitos em madeira para
acomodação das Praças. Tive que me deslocar lá uma vez, por razões de Serviço à
Companhia, e verifiquei as condições paupérrimas em que o pessoal viajava,
acrescida do facto perturbador da alta pressão atmosférica a que os corpos se
sujeitavam, porquanto se encontravam abaixo da linha-de-água.
Como é
normal nas viagens marítimas, são dadas instruções aos passageiros sobre o
procedimento a adotar em caso de emergência, com a indicação da baleeira que
lhes está destinada, e há sempre uma ou mais ocasiões, a decidir aleatoriamente
pelo Comandante de Bandeira (neste caso, porque transportava tropas) ou pelo
Comandante do Navio, para um exercício súbito e inesperado. As Praças, ao apito
do navio para esse efeito, tinham mais dificuldade em chegar prontamente ao
convés, não só pelo local onde se encontravam mas também pela sua maior
quantidade. Havia que procurar controlar toda esta dificultosa situação, por
razões do foro militar e de obrigação naval.
![]() |
| EXERCÍCIO PARA EMERGÊNCIA |
![]() |
| NAVIO NO GOLFO DA GUINÉ |
Uma
bela tarde, em pleno Golfo da Guiné, vemos um navio mercante em rota de colisão
com o nosso. Nada percebíamos de Leis Marítimas, mas fomos informados que
aquele barco teria que dar passagem ao Vera
Cruz e ser ele a desviar a sua rota, o que não fez. Não se conseguia vislumbrar
vivalma e estivemos muito perto dele. Parece que viria em Piloto Automático,
foi-me dito, depois, por um Oficial de Bordo. Óbvio que o piloto do nosso barco
é que teve de guinar para a direita e fazer um círculo completo, retomando
depois o rumo.
Passámos
ao largo de São Tomé e Príncipe, da Guiné, depois Cabo Verde e seguíamos o
nosso destino para Lisboa, quando nos chega a informação que aportaríamos
primeiro ao Funchal. E Porquê? Exatamente porque tínhamos partido atrasados de
Luanda decorrente das 12 horas gastas pelo Vera
Cruz na sua paragem aquando da ida. É que o tempo é controlado ao máximo
para efeito de articulação com outros fatores. Levávamos a bordo duas Companhias
de Caçadores Independentes cuja Unidade Mobilizadora era um Quartel de Ponta
Delgada. Estava previsto o seu desembarque em Lisboa e simultâneo transbordo
para outro navio cujo percurso é a triangulação dos Arquipélagos da Madeira e
dos Açores. A fim de se evitar o atraso de saída desse barco o Vera Cruz foi descarregar essas
Companhias ao Funchal que ficaram a aguardar a chegada do tal outro para
posterior embarque para o seu efetivo destino. Esta alteração proporcionou-nos
a oportunidade de conhecer a Ilha da Madeira, pois tivemos autorização de
saída. Em grupos, alugámos um carro e percorremos aquela maravilhosa Pérola do Atlântico, como a cantava o
grande Max.
(acentuando
o último a). Exactement comme l’Algerie!”,
talvez lembrando-se da Guerra da Argélia. Teria sido ele também Combatente?
Carlos
Jorge Mota
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















