sexta-feira, 8 de junho de 2012

O FURRIEL QUE ANDOU "DESENFIADO"


Um camarada Furriel, tinha passado férias, no “puto”, depois de um ano complicado na guerra de Angola, dividido entre a intervenção na rede de Luanda e o Dange. As férias tinham sido ótimas, onde confraternizou com familiares, amigos e a namorada que tinha deixado na terra, situada nesta bonita zona do nosso país (ver mapa da região), mas passaram rápidas.
De regresso a Angola, a sua companhia encontrava-se no mato, e o Furriel não lhe apetecia regressar aquelas paragens, já que o fim daquela missão, estava preste a terminar, e o seu regresso a Luanda estava para breve. Então começou por a fazer conjeturas, “se me apresento no Batalhão, mandam-me para junto da minha companhia, ou em alternativa, fico no batalhão, e tenho de pagar essa estadia com inúmeros serviços”. 

Pensou então: “e se não me apresentar? Tenho uns amigos em Luanda, com um apartamento que posso dividir com eles e assim livro-me de ir para o mato e dos serviços no batalhão”, e se bem pensou melhor o fez, mas existia uma dificuldade, não tinha dinheiro para a alimentação, rapidamente resolveu o problema, conhecia o Furriel gerente da messe de oficiais e sargentos do batalhão, seria fácil convencê-lo a facilitar essa pretensão, e tomar as refeições na messe, falou com o camarada, e ficou tudo acertado.

Dormia até meio da manhã, levantava-se e apanhava o machimbombo militar na Mutamba e dirigia-se à sede do batalhão no Grafanil, onde conforme o combinado, saboreava as magníficas refeições, que eram ali servidas, ao fim da tarde voltava a tomar o mesmo transporte de regresso a Luanda para as noitadas com os amigos, e assim passaram 20 dias, antes do regresso da companhia, decorrido esse tempo, apresentou-se para retomar a sua atividade normal.
-        Mas, acontece que o camarada Furriel, gerente da messe, o procura e diz-lhe: “Oh camarada ainda não pagaste as refeições que tomaste na messe”.
-        O camarada Furriel perguntou:
-        “Então, mas tenho de pagar?”.
-        O camarada Furriel, gerente da messe, respondeu:
-        “Claro, camarada, andaste “desenfiado” e ainda querias comer à borla?”
E assim o camarada furriel não teve outro remédio senão pagar a dívida (ver recibo).


Texto: F Santos
Nota: Os locais, personagens e factos desta “estória” de ficção, não são mera coincidência, férias em Portugal, casa de Luanda, almoços no Grafanil, Machimbombo, tudo isto existiu.
Fica aqui o desafio ao camarada furriel, para que faça um apelo à sua memória, e conte a verdadeira história dos almoços que teve de pagar na messe de oficiais e sargentos do Batalhão.
F.Santos



2 comentários:

  1. Transcrevemos na íntegra, como comentário, o texto do autor que acompanhou este testemunho:

    Olá amigo!

    Estou a mandar-te uma "estória", que tinha enviado para análise prévia, a um camarada.
    Não gostou, mas surpresa, vou encontrar esta narrativa publica num blogue nosso conhecido, sem pagar os direitos de autor, autêntica traição.

    Um abraço

    FS

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  2. Uma vez que sou o visado, transcrevo aquilo que disse no blogue (www.ccac2504.blogspot.pt) o blogue da 2504

    A imaginação fértil de um Vagomestre

    Encontrei no meu arquivo da "Guerra da 2504", um recibo cuja história não recordo. Por se tratar de almoços, enviei uma cópia a um vagomestre, o Fernando Santos da 2505.
    Armado em Sherlock Holmes e mesmo sem lupa, não tardou a deslindar o mistério à sua maneira.
    Será Verdade? Será Mentira? Sinceramente não faço a mínima ideia.

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